Medicina do Viajante

A consulta do viajante, sofre em Portugal por uma grande ausência de informação específica e detalhada para cada tipo de viajante, uma descoordenação entre os poucos serviços públicos e privados, onde se realiza este tipo de consultas, além de que a formação médica na área é escassa, sendo geralmente substituída pelo voluntarismo ou pelo aventureirismo, ambos inimigos de um trabalho consciente e seguro.
Apenas existe um site internacional de apoio (em inglês), que faz actualizações anuais, em função das informações colhidas internacionalmente pela OMS. Http://www.travelmedicine.dk.
Além da história clínica cuidada, cabe ao médico a determinação do grau de risco em função do itinerário do viajante, aconselhar uma profilaxia em caso de existir, prescrever a vacinação obrigatória intrafronteiras, ou outras facultativas sempre que seja necessário, construir a "farmácia do viajante" em função do seu destino e finalmente o aconselhamento sobre os locais sanitariamente seguros no destino, onde poderá pedir apoio, sempre que necessitar.

  • Anamnese
  • Exame objetivo
  • Prescrição
  • Consulta de rastreio pós-viagem
  • Classificação dos viajantes segundo o grau de risco:

1 - Risco mínimo
Viajantes de curta duração (ausências até 1 semana), em trabalho ou lazer e em áreas citadinas.


2 - Risco moderado
A maioria das viagens turísticas, com uma duração de 1 a 3 semanas, com estadias sobretudo em cidades mas com excursões pelo campo, ou pernoitando fora dos hotéis, em condições mais rudes.


3 - Risco máximo
Viagem de longa duração ou deslocações repetidas a áreas endémicas, ou viajantes solitários em áreas totalmente desprotegidas e insalubres, ou trabalhadores destacados para áreas de risco.
Nas deslocações profissionais prolongadas, exige-se toda a vacinação necessária para a área respectiva, além das vacinas: Hepatite B, BCG, TBE ou Raiva.
Nestes casos, é indispensável explicar que na maioria dos países, a subnotificação falseia completamente o grau de risco real, sobretudo para os casos de tuberculose e raiva. Aconselha-se sempre a vacinação, além de que também se deve fazer as devidas recomendações para prevenir o VIH.

  • Recomendações práticas:

QUEM NÃO DEVE VIAJAR DE AVIÃO - A generalidade das companhias aéreas exige certificados ou atestados em casos de dúvida expressa sobre patologias graves ou outros casos, quando se verifica o risco para a saúde do próprio ou de outros passageiros, risco em termos de segurança aérea, ou risco para terceiros (os restantes passageiros).


1 - Grávidas no fim da gestação (últimas 4 semanas na gravidez simples ou nas últimas 8 semanas no caso de multiparidade).
2 - Recém-nascidos com menos de 1 semana de vida.
3 - Nas 48 horas pós parto.
4 - No EAM (enfarte agudo do miocárdio) há menos de 10 dias.
5 - Na angina instável.
6 - Na dispneia para pequenos esforços.
7 - Na HTA mal controlada (sistólicas de 200mmHg são impeditivas de viajar de avião).
8 - No tromboembolismo recente sem medicação anticoagulante.
9 - Na DPOC grave (dispneia em repouso).
10 - Até cerca de 10 dias após pneumectomia.
11 - Nas anemias graves (hemoglobina inferior a 8,5g).
12 - Na anemia falciforme com crise hemolítica nos últimos 10 dias.
13 - Doentes infectados em tratamento mas com risco de contágio de outros passageiros (varicela, sarampo, rubéola, parotidite, escarlatina, tosse convulsa, gripe, tuberculose pulmonar e gastroenterites agudas na          fase produtiva).
14 - Epilépticos com história de crise convulsiva nas 24h. anteriores ao voo.
15 - Nos AVC e AIT, há menos de 10 dias.
16 - Doentes psiquiátricos instáveis, com comportamentos de risco e imprevisíveis (déficites cognitivos, esquizofrenias não controladas e outros).
17 - Nas fracturas recentes (menos de 1 semana) engessados.
18 - Nas 24 horas imediatas a um mergulho de profundidade

Autor: Dr. António Pedro, Director Clínico - Walk'in

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